mainieri's

Terça-feira, Julho 14, 2009

Linha de montagem humana






A mão da modernidade
grafitou
cenas clarescuras
cambiou
a trilha sonora.

Nos deixou sem rumo.

Somos rudes
no altar
da tecnologia.

Sem grife
profano
na esteira
da obsolescência
valho menos do que ontem...


Ricardo Mainieri

Sexta-feira, Julho 03, 2009

Desertos mentais






O mundo
segue seu curso
de (in)fluências & afluentes.

Suas engrenagens
se lo(u)comovem
sem estilo.

Dentro o estio
semeia aridez
colhe mentes desidratadas.

Desisto
tenho sede de (re)nascer.

Por favor
um pouco d'água
& algo forte para beber...


Ricardo Mainieri

Quarta-feira, Junho 24, 2009

Enturmação





Vezemquando
ando de mãos dadas
com a tribo da modernidade.

Nem sempre recebo convite.

Trafego pelo social
com sulfúricas palavras
imagens putrefatas.

E temo mortos & feridos.

Equilibro meu estilo
nas águas agitadas
de meu tempo.

Sei que não irei naufragar.

Somente ficar à deriva.


Ricardo Mainieri

Sexta-feira, Junho 19, 2009

Quasinverno





O vento
(in)venta
dentro de mim

brisa breve
ou ciclone...

Ricardo Mainieri

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(ins)pirado num poema da poetamiga
porto-alegrense Mara Faturi

Quinta-feira, Junho 18, 2009

Poemas no Livro da Tribo 2010/2011






Mata Atlântica
em teu verdazul
ancoro meus olhos
ainda preservados.

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Sol na praia
é como bênção
na cidade: danação.

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Cravo temperando
tua pele chocolate
anis & afeto no coração.

Ricardo Mainieri

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Estes poemínimos foram selecionados para
o Livro da Tribo 2010/2011

Segunda-feira, Junho 08, 2009

Composição






No semblante rubro
do horizonte:
sorriso de pássaros


Ricardo Mainieri

Quinta-feira, Junho 04, 2009

Entropia






Redescobri a palavra
entropia.

Adentrei na desordem
na lenta desintegração
dos sistemas.

Humanos & estruturais.


A oxidação
a ferrugem
e o caos
nos persegue.

Poderemos detê-los?


Ricardo Mainieri


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Imagem de uma tela de Luis Nogueira

Quinta-feira, Maio 28, 2009

(Re)pouso







Num edredon de nuvens
suavemente
o avião (re)pousa.

Ricardo Mainieri

Quarta-feira, Maio 20, 2009

Pedigree







Em meio
a tantos amores
vira-latas.

Nossa estória
tem pedigree.

Ricardo Mainieri

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selecionado pelo site Blocos como um dos
10 melhores poemas de 2002

Quinta-feira, Maio 07, 2009

O fazedor de auroras











Dá-me tua mão tarde de maio
tua chuva fina
teus filtros de memória
tua claridade.

O coração persiste
na lenta construção
das manhãs.


Jorge Adelar Finatto
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Do livro: O Fazedor de Auroras, ed. Igel/IEL

Sábado, Maio 02, 2009

Noturnimagem







Noite
na Av. João Pessoa.

Lua grávida
luzamamenta
palmeiras em procissão.

Ricardo Mainieri

Quinta-feira, Abril 23, 2009

Perfeição






Voo cósmico do sol
se alternam dia & noite
inalteradamente...

Ricardo Mainieri

Sexta-feira, Abril 17, 2009

Dias escuros





O tempo
não é de apostas.

Tampouco de sorrisos
à tiracolo.

Move-se em passos
mínimos
à meia-voz.

Clandestino
transita sem ser notado
quase fugitivo.

Não me abrigo
de sua face cinzenta.

No entanto
homeopaticamente
sangro energia vital.

Vou me medicando
de realidade
na esperança que surjam
novos dias de luz...

Ricardo Mainieri

Segunda-feira, Abril 13, 2009

Onda zen






Imensidão do mar
meus olhos surfando
em ondas alfa...


Ricardo Mainieri

Terça-feira, Abril 07, 2009

jogos de haver [do medo]


























há um medo que se oculta
nas fendas; nas frestas
na brecha do tempo
é pleno

reflexo inverso, revela-se!

há um medo inscrito na fala
nos ícones, nas tábuas
no culto; no sótão
é posto

uma epígrafe sem face

há um medo que se aufere
na angústia, insere-se
no que fere a falta
é domo

translúcida anuência e dolo


Paulo de Carvalho
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